Por: Adalice Araujo … Continue Reading >Em cada obra “Um Novo Canto” // Florianópolis // Fevereiro de 1987

Apesar de desenhar desde menina, apenas a partir de 79 é que Guita Soifer vem se dedicando profissionlmente às artes plásticas. Tentando recuperar o tempo perdido, ela fez à sua maneira, uma espécie de Escola de Belas Artes paralela. Tendo-se iniciado no Curso Livre de Desenho do Museu Alfredo Andersen, frequenta, a seguir o ateliê de Lia Folch (Curitiba) e de Herdva M’egged (SP). Movida pela contante ânsia de aperfeiçoamento faz, a seguir, sucessivos cursos de serigrafia com Alex Flemming, litografia com Antonio Grosso; baitque com Yeddo Litze; papel artesanal com Otávio Roth; gravura em metal com Orlando da Silva; desenho com Uiara Bartira; gravura em metal e monoprint com Sandra Correia e desenho com Fernando Calderari.

Nas gravurar em metal mais recentes, Guita Soifer pratica um trabalho de cunho intimista, transformando recantos de sua casa, detalhes de seu quarto, do seu banheiro, cantos da sala em universo. De uma espécie de hiper-realismo de cunho poético e nostálgico de fazse anterior, passa agora, para propostas mais livres que continuam, porém, nos fascinando por seu lirismo.

De início trabalhava mutio com água tinta-técnica que lhe permitia obter na gravura os efeitos da aquarela. Mediante sua incursão na água forte – através de jogos de luz e sombra – consegue criar relações tonais bastante raras, dentro de um clima muito especial. Do seu mundo ela observa o “lá fora”, a paisagem vista da janela, ou a curiosa visão urbana que, hoje, se usufrui da cobertura de um edíficio. O gestualismo gráfico, com que trabalha os varais de roupa, constitui uma transição para os mono-prints de cunho mais abstrato – técnica essa que lhe permite se soltar totalmente – levando-se à descoberta da prática da liberdade através das cores.

Paralelamente Guita Soifer vem desenvolvendo experiências com pastel – algumas das quais selecionou para a atual Coletiva Curitiba Arte 13/87. Usando a paisagem como temática principal, nessa série revela uma nítida preferência por grandes espaços, que transmitem um visão serena e poética do mundo, à qual não falta, porém, energia e vibração. Seguindo o princípio de que com poucas cores é possível captar toda a cromia do universo, ela prefere adotar apenas seis cores – três quentes e três frias – e o faz com um misto de liberdade e raro refinamento que lhe é característico.

Também aqui a sua fonte de inspiração é o seu cotidiano; a visão da paisagem urbana vista do alto do edifício em que habita; ou da janela do hotel em que se hospedou no Rio; ou ainda as fotos aéreas do haras de sua propriedade. Optando pela síntese, a definição maior ou menor dos elementos presentifica-se em um jogo de focalização e desfocalização.

A nível plástico, chama a atenção as ricas possibilidades que obtém com as texturas que criam pontos de tensão dinâmica do gesto dentro da composição. Para obtê-las fere o papel com instrumentos de gravura, enriquecendo o todo com um grafismo solto em positivo que insinua seu desejo de liberdade. Cada técnica que Guita Soifer pratica enriquece seu processo de comunicação. Sua liberdade atual reflete a sabedoria de quem é capaz de se renovar no dia a dia, e a sensibilidade de traduzir, em cada obra, “ Um Novo Canto” – conforme as palavras do poeta Odemar Justus: “ Um novo canto há de vir na voz do vento e os pássaros, abrindo auroras onde houver um céu; plantando onde existir um chão, sementes do amanhã.

Adalice Araujo

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