Guita Soifer tem a curiosidade e a vontade de trazer à tona algo além do que estamos acostumados a ver. Mas isso não se dá na inovação de uma técnica ou tecnologia, mas na linguagem. Ao retomar a arte em xerox, ela recria algo já feito nos idos da década de 1970, mas com uma nova roupagem, com uma nova intencionalidade. Ela traz originalidade ao que não pode ser inédito. Seu momento criativo é o da repetição, da exaustão para encontrar o que a satisfaz, o que acredita possa trazer um olhar interrogativo, possa acrescentar um ar de dúvida ao que estamos vendo.

Guita Soifer iniciou na pintura, mas foi na fotografia, na reprodutibilidade que ela encontrou sua forma de se expressar, justamente pela possibilidade de repetir, de rever, de reproduzir de reencontrar.

Nada melhor, portanto de que se apropriar de uma tecnologia da reprodução: a máquina da xérox. Se num primeiro momento parece que tudo é fruto do acaso, da solução de uma máquina não pensante, ao vermos as e3scolhas, a edição da Guita, percebemos que ela incorporou o acaso como forma de linguagem. Ela propositalmente deixa a máquina correr sobre sua criação primeira: sombras e cores vão se formando, distorcendo,criando novas imagens, novas formas, novas silhuetas. Mas é o princípio criador da Guita que sobressai, o que ela que mostrar é o que finalmente se deixa ver. E o que se vê é a própria personalidade da artista: fremente, inquieta, curiosa.
Guita procura de alguma forma nos trazer algo de novo, que mexa com nossa percepção, com nosso olhar; ela nos desafia nos apresenta o banal de forma inusitada, o conhecido de forma inovadora, o simples de forma complexa. Ela indaga e nos leva a enxergar onde os olhos se acostumaram só a ver.

Simonetta Persichetti

0 Comentários para “Quando o acaso vira linguagem”

Deixe um comentário